A grande distinção entre o homem e outros animais é a capacidade que só nós temos de questionar. Perguntar, muito mais do que saber a resposta, foi a diferença para o enorme progresso da nossa espécie. A partir do momento em que nos interessamos em indagar se era possível usar uma pedra em nosso benefício, demos início a uma longa jornada que nos levou à Lua. Mas, quando pensamos em nosso próprio bem estar, naquilo que depende de nossa melhor organização em sociedade, estamos sendo vítimas de uma letargia motivada por dogmas vencidos pelo tempo. Temos sido muito parcimoniosos em formular questões oportunas e necessárias. Cito algumas, na verdade apenas trinta, de algumas centenas, muito atuais, que não estamos sequer colocando como preocupações pertinentes e importantes:
Está satisfeito com a qualidade dos serviços prestados pelo governo a você e à coletividade a que pertence?
Acha possível que a má qualidade dos serviços prestados pelo governo, a corrupção, a ineficiência e seu alto custo, possam decorrer, total ou parcialmente da má-organização da máquina administrativa?
Dá para melhorar a eficiência do governo e a qualidade dos serviços que presta? Em caso positivo, como fazê-lo?
Acha correto que uma só pessoa tenha a última palavra, ou tome a decisão sobre assuntos que pode não conhecer, como saúde, educação, economia, segurança, tecnologia, comunicações, genética, meio ambiente?
Está certo uma única pessoa ter poder para declarar guerra, decidir sobre o valor dos impostos, destinar mais de trinta bilhões de reais a um projeto não levado a debate e não prioritário para um país pacífico, como a compra de aviões de guerra?
Tem idéia de quanto custa o poder legislativo para a sociedade, com mais quinhentos deputados e mais de cem senadores, além de milhares de servidores para atendê-los?
Conhece alguma lei importante, cuja iniciativa tenha sido de algum deputado, senador, ou mesmo de todo o poder Legislativo?
Lembra de algum projeto de lei da iniciativa do Executivo que não tenha sido aprovado pelo Legislativo ? Qual?
Nossos partidos são representativos?
O principal objetivo dos partidos políticos deve ou não ser fazer e defender a adoção de propostas de governo sérias, honestas e viáveis?
É possível criar partidos que defendam princípios e não sirvam apenas como instrumento de obtenção de poder? Como?
Você lembra em quem votou na última eleição e qual a proposta de seus candidatos?
Você é, mesmo que remotamente, ouvido ou consultado sobre como os problemas coletivos devem ser resolvidos?
Você tem alguma participação na escolha de candidatos, ou de programas de governo? Os representantes populares conhecem e tem agido conforme a convicção de seus eleitores?
Há alguma maneira do povo fiscalizar melhor o governo?
Há forma do governo ser mais representativo, eficiente e menos custoso para executar a vontade e atender aos interesses legítimos do povo?
A corrupção é inerente ao homem?
Qual é a opção correta? A forma como se faz política é que leva as pessoas a serem mal intencionadas, ou só os mal intencionadas é que se dispõem a fazer política?
Ineficiência e corrupção são inerentes à democracia ? É possível diminuir a corrupção com medidas inteligentes e bem intencionadas?
Até que ponto depende da melhor organização do governo combater a corrupção com mais determinação e eficiência ?
Seria possível e, se possível conveniente a criação de um órgão unificado para promover toda a formulação e execução de uma política de combate rigoroso à corrupção?
Você acha justo e inteligente o sistema de impostos em vigor?
É possível melhorar e tornar mais simples e menos doloroso para o contribuinte, a forma de arrecadar dinheiro para o governo cumprir suas tarefas?
Você acha que o que paga está sendo bem empregado?
Sabe quanto o país gasta com o Poder Judiciário, ou quanto ele custa para seu bolso?
Você está satisfeito com a rapidez e eficiência da Justiça?É possível ser rápida, adequada e efetivamente atendido se precisar da reparação a uma ilegalidade ou infração a um contrato de que tenha sido vítima?
Até que ponto você acha prioritário e importante estarmos preparados para nos defender de uma invasão por parte de outro país ? Você a acha provável, ou altamente possível essa invasão?
Você está satisfeito com sua segurança e a de sua família?
Entre pagar para nos defender em caso de invasão por um país vizinho, como Argentina, Bolívia, ou Venezuela, ou de assaltantes em nossa cidade , quanto de dinheiro você destinaria para cada uma dessas possibilidades? Tem idéia da proporção gasta atualmente?
Você acha que os contrabandistas de drogas e armas, os delinqüentes e criminosos pertencentes ou não a quadrilhas organizadas estão sendo procurados, identificados e punidos adequadamente?
O Autor do livro “ O Dogma dos Três Poderes” propõe acima de tudo que essas e outras perguntas sejam levantadas e discutidas, o que não vem sendo feito. Entende que existem respostas possíveis e as formula, mesmo reconhecendo que as suas possam não ser as melhores e que em ciências sociais verdades não são certezas, muito menos absolutas. Ele mostra em seu livro, que está na hora de fazermos e pensarmos em possíveis respostas para estas e uma porção de outras perguntas.
A separação de poderes foi sugerida e sistematizada na primeira metade do século XVIII, pelo francês Charles Louis de Secondat, o barão de Montesquieu (1689-1755), em seu livro De L’Esprit des Lois.
Na obra, defendeu a conveniência de dividir o governo em poderes ou funções,
"A CORRUPÇÃO É RESULTADO DO EGOÍSMO EXACERBADO DE POUCOS E DA OMISSÃO PREGUIÇOSA DA MAIORIA. O SISTEMA DE DIVISÃO EM TRÊS PODERES É FALHO EM DIFICULTAR O BOM COMBATE A ESSE MAL. É PRECISO PENSAR E APRIMORAR O GOVERNO, NÃO PARA ACABAR COM A CORRUPÇÃO - POIS É IMPOSSÍVEL- MAS PARA TORNÁ-LA CADA VEZ MAIS PERIGOSA PARA QUEM ESCOLHER PERPETRÁ-LA."